Blairo nega crime: “Estou absolutamente derrotado internamente”

18/04/2017 15:04

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi (PP), afirmou ter sido pego de surpresa com as declarações de ex-executivos da Odebrecht e delatores da Operação Lava Jato, que o colocam como um dos supostos beneficiários de propinas pagas pela empreiteira.

Em acordos de delação premiada firmados com o Ministério Público Federal (MPF), Antônio Pacífico Ferreira, diretor superintendente para as Áreas Norte, Nordeste e Centro Oeste da Odebrecht, e Pedro Augusto Carneiro Leão Neto, diretor de contratos da construtora, apontam pagamento de R$ 12 milhões para Blairo, valor que teria sido utilizado para custear a campanha do então governador de Mato Grosso à reeleição, no ano de 2006.

“Fui pego totalmente de surpresa. É uma situação inusitada, muito ruim, que desmonta a gente. Estou absolutamente derrotado internamente. Estou fazendo um esforço gigante para estar de pé, trabalhando, para estar fazendo os enfrentamentos”, disse Blairo.

É uma situação inusitada, muito ruim, que desmonta a gente. Estou absolutamente derrotado internamente. Estou fazendo um esforço gigante para estar de pé
“Mas isso faz parte da vida, não tem como fugir desses assuntos. Como afirmei lá atrás, continuo afirmando: Não tenho nada a ver com isso. Não fiz, não autorizei e tenho certeza que esse dinheiro nunca chegou a minha campanha. Nunca, ninguém, absolutamente ninguém que estivesse próximo de mim na campanha comentou alguma coisa sobre esse assunto”, afirmou o ministro.

As declarações foram dadas na manhã desta terça-feira (18), em entrevista à Rádio Capital FM.

O ministro disse que demorou um pouco para se manifestar com mais profundidade sobre as acusações, por uma necessidade de conhecer o teor das delações e buscar dados para rebatê-las.

Blairo citou, por exemplo, que a própria petição assinada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, mostra um documento assinado pelo ex-secretário de Estado, Vilceu Marchetti, em que é reconhecida uma dívida do Executivo com o Odebrecht, no montante de R$ 21,3 milhões.

Tal débito, de acordo com ele, seria pago em sete parcelas, a partir de dezembro de 2006.

“Gostaria de poder explicar um pouco. Estou levantando alguns números e dados na contabilidade do Governo. Esses pagamentos, pelo que tenho conhecimento, pelo Fiplan, ocorreram até 13/04/2007, fora do período de campanha eleitoral e bem longe dos números que estão dizendo hoje. Tenho aqui na relação reconhecimento de que até hoje foi pago pelo Governo R$ 18,3 milhões”, disse Blairo.

“Estou buscando outros números, outros dados para saber o quanto realmente foi pago. Até agora não foi encontrado nada além desses pagamentos. Então, você vê que na narrativa do delator – a confirmar os números que estou citando – não é verdadeira. A fala (do delator) parte de números que não existiam. Estou procurando me municiar, conhecer os números, saber quando e como foram os pagamentos. Não resta dúvida, de início, que este dinheiro não chegou para campanha eleitoral, já que foi pago em 2007”, afirmou.

“Propina inviável”

Então, você vê que na narrativa do delator – a confirmar os números que estou citando – a narrativa não é verdadeira. A fala (do delator) parte de números que não existiam
Ainda de acordo com Blairo, os numeros expostos pelos delatores não “batem” com a realidade.

De acordo com os executivos da empreiteira, os R$ 12 milhões supostamente pagos a Blairo corresponderiam a 35% de uma dívida que o Executivo teria com a Odebrecht.

“Segundo o delator, o pedido foi de R$ 12 milhões. Se concretizar os números aqui colocados por mim, já se mostra inviável (o pagamento), é impossível de ter acontecido. Uma vez que os números que o Estado pagou foram muito poucos”, disse.

“Estamos num processo de averiguação, de busca de números para poder contrapor. Os números não fecham, as datas não fecham. O delator tem liberdade de falar o que quiser, mas nesse segundo momento, terá que ter números, provas, documentos. Daqui pra frente não adianta a palavra minha contra a de outro. O que vai valer no final são os dados, coisas concretas. É daí que a Justiça vai ter que se basear para fazer o julgamento, seja em qualquer instância ou em qualquer momento dessa ação que vai correr daqui pra frente”, afirmou o ministro.

“Eder nunca esteve na campanha”

Ainda durante a entrevista, o ministro Blairo Maggi afirmou que o ex-secretário de Estado Eder Moraes nunca teve qualquer participação em sua campanha eleitoral.

“O então presidente do MT Fomento (Eder) não tinha participação na campanha eleitoral. Nunca fez parte de comissão, não fez parte de arrecadação, não fez parte de organização, enfim, não tinha qualquer função dentro da campanha eleitoral 2006”, disse.

“Isso eu tenho certeza absoluta. Só conversar, investigar pessoas próximas para saber qual era o papel de cada um ali dentro. Isso (participação de Eder) não é verdadeiro”. 

Por fim, o ministro afirmou que nunca teve qualquer relação com os executivos da Odebrecht e afirmou que os próprios delatores alegaram nunca ter tido qualquer contato direto com a sua pessoa.

“O MPF construiu uma narrativa, coloca dentro de uma situação, em que deixa transparecer que eu seja pessoa a ser investigada. Eu, sinceramente, não acredito nisso. Teremos oportunidade de nos manifestar durante o inquérito, se ele prosseguir, porque acredito que será arquivado, porque que não tem materialidade, a não ser a palavra de um contra outro. Nunca houve contato. Eles mesmo admitem que nunca houve contato comigo”, afirmou Blairo.

“Daqui para frente é verificar como as coisas vão, as investigações, vão ouvir pessoas, vão buscar a materialidade das coisas. Espero que no final de tudo isso e cada uma dessas etapas eu consiga já na primeira sair desse processo que é muito desconfortável, não condiz coma realidade e, portanto, tenho que responder muito chateado”, concluiu.


Fonte: Agencia de Noticias